Documenta 12


Por Manuela Ammer
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Embora se aposse do espaço, a obra de Iole de Freitas é visivelmente non-site-specific. Uma estrutura complexa de tubos de aço curvados, cuja evolução é acentuada por extensas chapas de policarbonato – ora transparentes, ora translúcidas –, ocupa uma das salas principais no primeiro andar do Fridericianum.

No lado sudoeste, os tubos de aço atravessam as paredes e se projetam em meandros ao longo da fachada, contornando a quina do prédio, para finalmente, no lado sudeste, retornarem à parte interna. A relação entre a instalação e o espaço que ela ocupa é um dos abstraimentos: o fluxo contínuo das linhas e da superfície não leva em conta a estrutura arquitetônica do prédio, mas, ao contrário, estabelece sua própria lógica dinâmica. Forma-se uma espécie de praça flutuante, com passagens para vaguear e refúgios para se recolher.
Se os trabalhos anteriores da artista resultaram diretamente do confronto com o próprio corpo, aqui ela emprega a concretização espacial de gestos e movimentos, para que eles sejam compreendidos coletivamente. Além disso, a linguagem formal de sua instalação apresenta um diálogo intenso com a tradição construtivista das vanguardas brasileira e russa, cujas arquiteturas utópicas se sobrepuseram à gravidade e reescreveram as leis da percepção.
Nesse sentido, Iole de Freitas também quer emprestar forma ao instante, já que a matéria converte-se no oposto de si mesma: aço e policarbonato deslocam-se no espaço com as mesmas ondulações que desenham torções e volumes, como vestígios do vento. Os eixos de movimento e de olhar assim surgidos, os campos de força e os entroncamentos deixam o observador tornar-se parte de um sistema de coordenadas multidimensional, com o qual a artista faz a arquitetura, o espaço, os visitantes e ela própria se relacionarem.

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